The Will To Live

23/08/2009

“No dia 11 de novembro de 1997,  Veronika decidiu que havia – afinal! – chegado o momento de se matar.  Limpou cuidadosamente seu quarto alugado num convento de freiras, desligou a calefação, escovou os dentes e deitou-se.

Na mesa de cabeceira , pegou as quatro caixas de comprimidos para dormir. Ao invés de amassa-los e misturar com água, resolveu toma-los um a um, já que existe uma grande distancia entre a intenção e o ato, e ela queria estar livre para arrepender-se no meio do caminho. Entretanto, a cada comprimido que engolia, sentia-se mais convencida: no final de cinco minutos,  as caixas estavam vazias.

Acreditava ser uma pessoa absolutamente normal. Sua decisão de morrer devia-se a duas razoes muito simples, e tinha certeza que, se deixasse um bilhete explicando, muita gente ia concordar com ela.

A primeira razão: tudo em sua vida era igual, e – uma vez passada a juventude – a tendência era que tudo passasse a decair, a velhice começasse a deixar marcas irreversíveis, as doenças chegassem, os amigos partissem. Enfim, continuar vivendo não acrescentava nada; ao contrário, as possibilidades de sofrimento aumentavam muito.

A segunda razão era mais filosófica: Veronika lia jornais, assistia TV, e estava a par do que se passava no mundo. Tudo estava errado, e ela não tinha como consertar aquela situação – o que lhe dava uma sensação de inutilidade total .

Aos 24 anos, depois de ter vivido tudo que lhe fora permitido viver – e olha que não foi pouca coisa! – Veronika tinha quase certeza de que tudo acabava com a morte. Por isso escolhera o suicídio: liberdade, enfim. Esquecimento para sempre.

O estômago, começava a dar voltas, e ela sentia-se muito mal. “Engraçado, pensei que uma dose excessiva de calmantes me faria dormir imediatamente”. Mas o que estava acontecendo era um estranho zumbido nos ouvidos, e a sensação de vomito.

Decidiu esquecer as cólicas, procurando concentrar-se na noite que caia com rapidez, nos bolivianos, nas pessoas que começavam a fechar suas lojas e sair. O barulho no ouvido tornava-se cada vez mais agudo, e – pela primeira vez desde que tomara os comprimidos, Veronika sentiu medo, um medo terrível do desconhecido.

Mas foi rápido. Logo perdeu a consciência.”

Já perdi as contas de quantas vezes ouvi pessoas criticarem Paulo Coelho (e a grande maioria das vezes o fazem sem argumentos, mania incômoda que muitas pessoas tem de apenas repetir a opinião alheia mesmo sem o conhecimento da razão pela qual esta foi dada), nunca fui uma pessoa de ler muitos livros, até gostaria de ser, mas para ler um livro o tema tem que me atingir em cheio. Eu tenho que ver um pouco de mim ou da minha personalidade refletida naquele material e isso tem que me fazer uma pessoa melhor, senão eu não vejo muito sentido de estar ali horas e horas sentado numa cadeira lendo aquelas palavras que em nada me alterarão.

Verônica me alterou.

Acho que todos nós já chegamos a algum ponto das nossas vidas, não importa o quão vivido ou não você seja, em que nos perguntamos: “E agora?”. Na vida estamos de alguma forma programados: você acorda, vai para o seu trabalho, volta pra casa, fica no computador, dorme, duas vezes na semana sai para beber com seus amigos, enche a cara, dorme, acorda, trabalho…

Rotinas são desesperadoras. Elas até podem te passar um sensação de pseudo-segurança ou felicidade, mas acredite essa impressão é falsa. A repetição destrói. Relacinementos, trabalho, projetos, vidas…apenas destrói.

Poster do filme dirigido pela Emily Young que estreiou no circuito nacional no último dia 21. O filme ainda continua sem destribuidora em outros países.

Poster do filme dirigido pela Emily Young que estreiou no circuito nacional no último dia 21. O filme ainda continua sem destribuidora em outros países.

Ler “Veronika Decide Morrer” foi uma das melhores coisas que eu já fiz na vida, sem exagero. É impossivel não se alterar com a trajetória daquela mulher que tinha tudo na vida, decide se suicidar para não ver o declínio dela, não consegue sucesso em sua tentativa, mas causa um dano irreversível a uma artéria do coração, tendo então uma setença de morte declarada e poucos dias para viver. E é nesses poucos dias que Verônica, dentro de um hospício, recupera a vontade de viver mesmo sabendo que já não seria possível o fazer por muito tempo.

Ontem tive a oportunidade de assistir ao filme (onde quem faz o papel título é a Sarah Michelle Gellar) e apesar de todas as alterações (que foram muitas), a essência do filme continua a mesma e a mensagem é passada a frente através da boa direção da jovem Emily Young.

Nunca li ainda uma outra obra do Paulo Coelho, mas o pretendo fazer em breve, tenho muito orgulho em saber que ele é brasileiro e contemporâneo meu, não se pode dizer isso de todos os grandes nomes da literatura mundial.

Muto obrigado Paulo Coelho por este livro que funcionou para mim como uma potente injeção de vida.

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Qual será o futuro da música pop?

08/07/2009

Com a morte de MJ e seu funeral ocorrido mais cedo, não me sai da cabeça essa pergunta que usei como título deste post. Em tempos onde a originalidade é algo tão escassa quanto ao bom senso em redes sociais, os novos ícones pop sustentam-se em uma receita de sucesso perante a massa: o clichê.

Um exemplo prático:  um videoclipe com uma loira vestida de mulher fatal interpretando múltiplas personalidades enquanto pratica estratégicas jogadas de cabelo durante o vídeo.

Estamos falando de:

a-) Britney Spears em “Toxic”

b-) Christina Aguilera em “Keeps Gettin’ Better”

c-) Geri Halliwell em “Look at Me”

d-) Britney Spears novamente em “Womanizer”

Parece que acharam a fórmula do sucesso: Peguem uma mulher extremamente atraente com voz razoável, faça uma letra cretina, pegue uma batida chiclete e mande ela fazer carões durante o clipe. Parabéns, você acaba de construir um ícone pop amado e idolatrado por todas as adolescentes e gays de todo mundo!

É claro que existem também aqueles artistas que começaram sua carreira presos sob o manto de seus produtores, mas que logo em seguida se libertam destas amarras e imprimem sua identidade em seu trabalho como é o caso de Christina Aguilera, que conseguiu exemplarmente inovar em seus álbuns que seguiram o seu primeiro.

Christina Aguilera mostra que uma artista é capaz de tomar as rédeas de sua produção musical

Christina Aguilera mostra que uma artista é capaz de tomar as rédeas de sua produção musical

Não consigo entender, por exemplo, todo o sucesso de Britney Spears. Para citar alguns álbuns de sua carreira, vamos começar com o inteiramente produzido “Baby One More Time…” que através de seu rótulo de garota colegial inocente e virgem conseguiu atrair a atenção em peso dos EUA.  Prosseguiu com o “Oops…I did it Again!” quando começou deixar de ser tão inocente e mostrar algum traço de identidade, apesar de sua participação no álbum ainda ser ínfima. Em 2003 fez o “In The Zone” que talvez seja a sua maior expressão de liberdade na carreira, ainda que apelasse 95% das vezes no playback, porém isso nem importava tanto, pelo menos ela dançava e até exibia alguma desenvoltura com o público. No final de 2007, Britney Spears teve uma atitude em que nunca tinha presenciado no mercado fonográfico: lançou o álbum em que menos existiu uma participação efetiva da intérprete no seu desenvolvimento: o “Blackout”.

Britney em sua memorável tragédia do VMA no lançamento do "Blackout" , um álbum feito nas coxas pra tentar salvar o nome de Britney que estava na lama depois de tantos escândalos e assim fazer dele o grande triunfo da senhorita Spears.

Britney em sua memorável tragédia do VMA no lançamento do "Blackout" , um álbum feito nas coxas pra tentar salvar o nome de Britney que estava na lama depois de tantos escândalos e assim fazer dele o grande triunfo da senhorita Spears.

Em 2009 ressurge Britney Spears com seu álbum “Circus” e uma turnê mundial, tendo se tornado então em uma figura que fala pouquíssimo com o público durante suas apresentações e, quando fala, ainda consegue errar o nome da cidade em que está se apresentando. Quanto ao seu contato com a imprensa, limita-se a respostas curtas e automáticas [vide premiação do VMA 2008 quando ela ganha três estatuetas e repete o mesmo discurso em todas elas], tendo sua vida pessoal e financeira estritamente sob o controle do pai, sem a guarda dos filhos e que apesar da mega produção da turnê: não canta, mal dança e já cometeu inúmeras gafes como deixar o fio do OB aparecendo, arrancar o megahair mal colocado no meio da música “Piece of Me” [dizem as más línguas que ela interpretou a música ao pé da letra], apavorar-se de forma lamentável quando um fã invadiu seu palco, entre outros…E todos os seus fãs delirando com tudo isso, achando que ela é uma artista exemplar e que finalmente ressurgiu de seus tempos de glória.

Onde?  Essa Britney – robô comandada pelo pai e que parece ter perdido o dom da dança e da comunicação? E nem me venha seus fãs [insuportáveis por sinal, pois parecem não ter senso crítico e ter a noção quando o ídolo acerta ou erra] dizer que ela está traumatizada, o Michael Jackson que é o performance máster sofreu traumas piores que ela e construiu uma carreira artística exemplar.

Eu fico feliz que o futuro do pop não dependa de alguns novos artistas da minha geração, sei que muitos aqui já ouviram falar da Roísin Murphy e Lady Gaga, artistas que cantam, produzem e possuem algo que artistas como Britney nunca terão: atitude.

Termino por hoje deixando aqui um vídeo mostrando o que é uma artista pop que tem talento e sabe fazer mais do que jogar cabelo em cena.


Como envergonhar o Brasil via Twitter.

03/07/2009

Sei que o tema já foi debatido por alguns blogs aí afora, mas eu não podia deixar de expressar minha opinião sobre o que vem acontecendo em uma das redes de comunicação que mais cresce no mundo: o Twitter. Pra quem não usa a ferramenta, ou é usuário porém não está ciente dos acontecimentos dos últimos dias aqui vai um pequeno resumo.

O Twitter é uma rede de relacionamentos que funciona como um microblog onde cada usuário envia mensagens de até 140 caracteres que deveriam supostamente responder a pergunta “O que você está fazendo?”. Ainda no Twitter existe o Trending Topics que nada mais é do que uma seção do site que exibe os dez assuntos mais debatidos por todos os usuários da rede no momento. E foi a partir do Trending Topics que tudo começou.

Devido à final da Copa das Confederações entre Brasil x EUA, o ator Ashton Kutcher através de seu Twitter pessoal começou a comemorar adiantadamente a vitória dos EUA que estava no começo do segundo tempo com dois gols de diferença sobre o Brasil. Dando-se o final do jogo e assim a vitória do Brasil, alguns brasileiros começaram a enviar mensagens com a tag #chupa para o ator. O que começou como uma brincadeira de poucos, tomou proporção gigantesca depois de que pseudos famosos como Rosana Hermann, Junior Lima entre outros começaram a dar impulso para a tag #chupa, pedindo que os seus milhares de seguidores dessem reply na mensagem.

Demi More comentando a ascenção do #chupa

Demi Moore comentando a ascenção do #chupa

Eu admito que a princípio até curti a idéia, pois nunca até então algum acontecimento do Brasil tinha entrado no Trending Topics e estabelecido-se no primeiro lugar da lista, então essa brincadeira poderia até ser uma boa maneira de testar o poder de fogo brasileiro na rede, além de claro tirar um sarro da cara do Ashton Kutcher [o cara que mais tem seguidores no twitter]. Alguns minutos depois e mais algumas subcelebridades aderidas à campanha e lá estava: #chupa no primeiro lugar no pódio do Trending Topics.

#chupa atinge o primeiro lugar no Trending Topics

#chupa atinge o primeiro lugar no Trending Topics.O que deveria ter parado por aí foi apenas o início da palhaçada.

Por algum motivo [talvez sensatez] o Twitter baniu a palavra #chupa do Trending Topics, o que fez a Rosana Hermann, alguém que eu respeitava profundamente por seu blog bem humorado e seu traba#mimimilho feito durante anos na televisão, querer levantar um novo movimento pelo sumiço do #chupa: o #mimimi. Eu que sempre fui fã da Rosana não consegui segui-la na rede, pois a  brincadeira que de ínicio até teve lá sua graça já tinha se tornado incômoda.

#forasarneyNo dia seguinte após o fracasso do #mimimi, surgiu uma idéia ainda mais imbecil: um grupo de celebridades B denominados de “Os Piratas”[formado também por Junior Lima, Bruno Gagliasso, Tico Santa Cruz e também com o apoio da Rosana] decidiram que podiam mudar o Brasil emplacando #forasarney no Trending Topics. E a coisa não pára por aí: para tal acontecimento eles ainda mendigaram a ajuda do Ashton Kutcher que após muita insistência respondeu:

“Para os brasileiros: só VOCÊS têm o poder de afastar seu senador. É o SEU país. VOCÊS devem lutar pelo que acreditam. Eu não tenho poder de voto”

“Para os brasileiros: só VOCÊS têm o poder de afastar seu senador. É o SEU país. VOCÊS devem lutar pelo que acreditam. Eu não tenho poder de voto”

Como brasileiro me senti envergonhado, pois um grupo formado por subcelebridades acéfalas conseguiu levar um fora em nome de uma nação inteira, tudo isso repassado aos mais de 2.570.120 milhões de seguidores do Ashton Kutcher.

Conclusão: Quer mudar o mundo? Quer fazer um protesto? Não o faça por Trending Topics porque ninguém muda NADA através de sua manipulação estúpida e barata. Eu queria saber o que se passava pela cabeça das pessoas que apoiaram o #forasarney, será que por algum instante acharam que o Sarney iria efetivamente sair do cargo através da obtenção da tag no primeiro lugar? Vamos cair na real pelo amor de qualquer coisa!

E para as subcelebridades: querem protestar: vocês não estão na televisão ou fazendo músicas ou são donos de blogs que recebem milhões de visitas por dia? Então se querem organizar um manifesto façam por aí que posso garantir que a eficiência e respeito da população para tal será bem maior.

Receita do dia: Bom senso!

E não marca consulta pra essa semana que tô de agenda cheia!


Imortalizando-se um mortal

02/07/2009

E hoje faz uma semana em que o mundo parou para acompanhar a última performance de um astro de calibre mundial. Era uma quinta-feira comum, eu estava mais uma vez entretido nas corriqueiras decisões do cotidiano e vivendo de uma forma tão automática que poderia facilmente confundir o dia da semana. Foi quando me deparei com uma mensagem do Twitter pessoal do Phelipe Cruz:

“se o Michael Jackson morrer, eu morro! ele teve parada cardíaca e foi pro hospital!”

E foi aí que tudo começou. No dia 25 de junho de 2009, eu presenciei em tempo real a transformação de um homem pertencente a minha geração em uma lenda. Depois de confirmada sua morte pelos meios de comunicação, milhões de fãs e admiradores pareciam simplesmente não querer acreditar que o Rei do Pop teria abandonado o trono.

Em apenas 24 horas depois de anunciada sua morte, MJ conseguiu aumentar sua venda de músicas no Itunes em 500%, na rede Twitter eram enviadas cinco mil mensagens por minuto contendo seu nome, seus discos voltaram a vender quebrando novos recordes, ítens pessoais do cantor foram vendidos por valores exorbitais entre outros feitos, tudo isso proporcionado pelo seu trágico falecimento.MJ2

Eu não consigo entender esse poder de santificação que a morte possui, ou até entendo, mas não o aceito. MJ era um homem visivelmente doente em seus últimos anos de vida. Em seu documentário “60 minutes” lançado em 2003 é notório o seu comportamento bizarro consigo mesmo e com as pessoas ao seu redor.  As pessoas concordavam e sabiam de seu modo doentio ainda parodiando encima disso, como fez Eminem no clipe de “Lose It” em que faz uso cômico da imagem do MJ. Estranho perceber que esse clipe antes visto de forma tão bem humorada seja agora visto com maus olhos pelo público.

Por mais perturbado que MJ fosse, é inegável o seu talento e seu vanguardismo artístico, e foram estas qualidades que o tornaram uma lenda em vida, e não a sua morte que assim o fez. Sua morte apenas consagrou o fim de uma vida e de uma produção artística pertencente a um mito em que as pessoas muitas vezes nem ao menos lembraram nos últimos tempos.

Que a morte de MJ sirva como exemplo, e que as pessoas consigam enxergar as diversas lendas que ainda estão presentes e “palpáveis” por nós e que possam assim prestigiá-las devidamente para não criarem ao fim apenas uma imagem distante do que foi seu legado não aproveitado em vida.

Termino fazendo minhas as palavras do Ismael Caneppele sobre MJ:

MJ1

Paradoxal até em sua morte: morreu imortal.


Inauguração do Consultório!

01/07/2009

Fatos de 2009

  • Acontece o grande BOOM do twitter, tornando-se uma ferramenta extremamente popular ao redor do mundo.
  • Outro BOOM acontece no mundo da música com a morte de Michael Jackson, causando comoção mundial e marcando assim o fim de uma era musical.
  • Acontecem dois enormes BOOMS aéreos, ambos envolvendo a empresa Airbus e a morte de passageiros de diversas nacionalidades, nos fazendo pensar se devemos ou não levar uma bóia da próxima vez que pegarmos um vôo.

Em apenas sete meses de um ano em que tantos fatos já aconteceram (muitos deles até simultaneamente), eis que chega uma hora em que você cansa de absorver tanta informação nova e deseja apenas vomitar um pouco daquilo tudo, nem que seja aquela gofada discreta de portas fechadas no toalete. Pois é, no meu caso a vomitada não será tão tímida, será aqui neste blog (as pessoas ainda usam ou visitam blogs?!) compartilhando um pouco da nojeira e do enjôo do que acontece por aí afora pela vida com vocês.

Saindo um pouco da analogia escatológica, espero realmente que aqui eu possa encontrar alguns parceiros blogueiros que tenham algo a declarar sobre whatever, mesmo que a sua opinião seja absurdamente sem fundamento, Dr. Whatever tai pra isso, é só marcar sua consulta.

Agenda seu retorno com a secretária lá fora,

Abraços